"Maximum" em todos os sentidos
Lançado oficialmente no Brasil em Edição Especial, pela Electronic Arts, Crysis veio para deixar sua marca na história e evolução dos jogos de PC. Dois anos depois do aclamado e premiado FarCry (leia nosso review aqui) a produtora alemã Crytek lança Crysis com um único objetivo: inovar o gênero FPS pela segunda vez e apresentar gráficos ainda mais realistas. Promessa feita, missão cumprida.
Na história, ambientada em 2020, o soldado Jake Dunn (codenome "Nomad") e seus companheiros das Forças Especiais dos EUA (Delta Force) são enviados à costa norte-coreana para investigar uma descoberta feita por arqueólogos americanos: um asteróide, aparentemente. O governo norte-coreano rapidamente coloca sua força militar em ação, tomando controle de toda a ilha para apoderar-se desta descoberta. As coisas pioram logo no início, quando Jake e sua equipe aterrizam na ilha e descobrem que esse asteróide é, na verdade, o começo de uma invasão alienígena.
Pode parecer clichê, mas no geral a história funciona bem no jogo. Nos primeiros 20 minutos de jogatina você aprende os comandos básicos, como interagir com o cenário, como modificar sua arma e como usar a Nanosuit, uma armadura militar high-tech que oferece ao soldado proteção e força muscular. A Nanosuit possui quatro modos: Armadura Máxima, Força Máxima, Velocidade Máxima e Camuflagem. O uso da Nanosuit reflete diretamente na jogabilidade, permitindo que você complete as missões na ordem e do jeito que você desejar. Porém, existe um limite de uso controlado por um medidor, que é recarregado automaticamente quando não se está usando os recursos da armadura, assim como sua barra de energia.
Quando a Nanosuit é ativada, aparece um menu circular na tela mostrando os quatro modos mais a opção de modificar a arma, sendo que o ponteiro do mouse define qual opção você irá escolher. Esta interface permite mudar de Armadura Máxima para Velocidade Máxima no meio do tiroteio, sem perder tempo ou se atrapalhar com os comandos. Usar a Nanosuit para se camuflar, pular por cima de muros altos, arremessar objetos com força contra inimigos, correr rápido de tiros de helicóptero, entre outras bilhões de coisas possíveis de fazer somado à liberdade dos cenários, oferece uma jogabilidade surpreendentemente inovadora.
As armas não são muitas (nove, no total), mas você não sentirá falta de mais opções. Isso porque a modificação delas muda muita coisa. Acionando este modo, você pode adicionar/retirar o silenciador, lanterna, mira a laser, lança granadas, entre outras opções, sendo que algumas armas possuem tipos de tiro e acessórios exclusivos. E como não poderia faltar, há três tipos de granada (de luz, fumaça e fragmentos) que são essenciais em muitas situações de combate. E quando a arma não funcionar, você pode sair na porrada, agarrar qualquer objeto do cenário para tacar no inimigo ou, se preferir, pegá-lo pelo pescoço mesmo.
No modo singleplayer, Crysis oferece sete veículos para dirigir: jipe, caminhão, caminhonete, barco, tanque de guerra e um avião. No multiplayer, há mais opções e um veículo exclusivo da Edição Especial chamado Amphibious PC: um tanque blindado de oito rodas que anda tanto em terra como na água. Entre os veículos, o mais prático é o jipe, com o qual você pode causar o maior estrago atropelando inimigos, destruindo casas, derrubando árvores, metralhando tudo com a metralhadora embutida ou explodindo o veículo atirando no galão de gasolina, na parte traseira do jipe.
Por falar em derrubar árvores, taí uma das novidades da física do game, gerada pela CryEngine 2. Você pode derrubar coqueiros, cortar ele em pedacinhos, pegar um pedaço de tronco e dar na cabeça dum coreano distraído. As folhas dos coqueiros e plantas reagem às colisões e tiros, assim como a água do mar. Quando você explode um helicóptero inimigo, você presencia sua queda destruindo tudo que estiver abaixo. Melhor ainda é ver a física respeitando os limites da inércia, sem aquele exagero do efeito "ragdoll", que dá a sensação do inimigo ser um boneco. Os efeitos visuais são sensacionais: ondas do mar, explosões ultra-realistas, fumaças densas, poeira subindo, o reflexo da luz do sol na floresta, efeitos climáticos, etc. Crysis é de longe o game mais bonito já feito até hoje. Por conta disso, o jogo exige placa de vídeo potente. Somente com as placas mais poderosas do mercado o jogador poderá usufruir do "verdadeiro" visual do game. Para se ter idéia, nossas screenshots foram tiradas com uma configuração de vídeo que representa 65% da qualidade máxima do game.
Trilha sonora é outro trunfo de Crysis. Criadas pelo compositor Inon Zur (responsável pela trilha sonora de Prince of Persia The Two Thrones, Everquest 2, Company of Heroes, entre outros exemplos), as 22 faixas incluídas no game criam uma atmosfera única, com cutscenes memoráveis, e faz brotar no jogador uma sensação de euforia igualável à sensação de se assistir um filme épico no cinema.
Mas como nada é perfeito, Crysis apresenta uma série de bugs de física e Inteligência Artificial. Enquanto não sai o patch oficial, você verá com freqüência um coreano travado (literalmente) no cenário, fazendo alguma burrice inexplicável. Veja exemplos aqui: vídeo 1 | vídeo 2 | vídeo 3. Algumas situações, mesmo não sendo bug do jogo, também são esquisitas. Exemplo: se você bater num inimigo morto no chão, você ouvirá um UUUGHHH! Ou jogar um inimigo contra outro e um deles morrer com o baque. Se fosse um gordinho, beleza...
Depois de terminar o game, que aliás possui um ótimo desfecho, a diversão continua no multiplayer. Onde FarCry falhou, Crysis acertou em cheio. O multiplayer é dividido em dois tipos: Instant Action (Deathmatch) e Power Struggle. Os mapas são gigantes (medidos em quilômetros), com ambientes caprichados, desastres naturais, ciclo de dia e noite, suporte para VoIP (chat por voz) e capacidade para até 32 jogadores em LAN ou Online.
No modo Power Struggle, há dois times (Americanos e Norte-Coreanos) para escolher, sendo que cada equipe domina um ponto estratégico do mapa. Cada mapa possui seus objetivos próprios para completar, com recursos que dão acesso a veículos como tanques e armas de tecnologia alienígena. Diferente de games como Enemy Territory: Quake Wars e Battlefield 2142, o jogador não é obrigado a escolher uma classe de soldado (sniper, engenheiro, médico...). Cada vez que você nasce em sua base você pode comprar a arma que desejar, assim como munição, granadas e acessórios extras. A fórmula é semelhante à de Counter-Strike, trocando o dinheiro por pontos adquiridos ao concluir objetivos ou matar inimigos.
Crysis falha em alguns requisitos (IA principalmente), mas compensa com a ótima campanha singleplayer (que infelizmente dura menos de 10 horas), multiplayer divertidíssimo e o visual mais caprichado que você verá num game por pelo menos 6 meses. Quando você enjoar do multiplayer, vale a pena conferir o excelente editor SandBox 2, que permite fazer alterações no game e jogar ao mesmo tempo. Funciona de forma semelhante ao Garyâ??s Mod (Half-Life 2), além de ser uma ferramenta completa para a criação de mods oficiais. Veja aqui um exemplo de como se divertir com o SandBox 2.
Para completar, aqueles que comprarem a Edição Especial sairão no lucro com um pack caprichado que inclui CD da trilha sonora, DVD Bônus (com vídeos, storyboards, making of, arte do game e screenshots), um livrinho de concept arts (inútil, uma vez que tem as mesmas imagens no DVD Bônus) e um veículo exclusivo (Amphibious PC) para download. Melhor que isso, só ganhando uma Nanosuit de Natal.